Sem cair no retórico academismo, a pintora Nequitz herdou o amor pela forma e pela cor. Para falar de sua pintura, sob o perfil meramente estético, seria suficiente sublinhar a delicadeza das cores, a estruturalidade formal de suas visões, a apropriada palheta nas representações mais diversas, a racional impostação dos elementos propostos e, finalmente, a extrema moralidade expressiva que a caracteriza. A pintura, no caso desta artista, é elemento espiritual e, portanto, sobretudo artístico, o que vai além da técnica e dos módulos de efeitos. Para traçar a arte de Nequitz é necessário colocar em evidência a sua sensibilidade, que, intimamente ligada à fantasia, leva suas visões concretas e reais para uma interpretação subjetiva que sabe lhes dar eficazes motivos de evocação lírica. A poesia, sobretudo o romantismo, a melancolia das visões da pintora Nequitz constituem um fato, além de artístico, humano que não pode deixar indiferente nem mesmo o observador mais apressado e menos atento. A artista aproxima e faz aproximar a realidade mais simples e mais modesta porque sabe revesti-la com a participação de um alto sentimento lírico. Nequitz através das transparências, seu realismo possui a capacidade de alcançar mútiplas interpretações dos sentimentos, em virtude de uma feliz acentuação psicológica de suas visões. A obra Almas gêmeas doada ao Acervo Artístico do Palácio 9 de Julho, se caracteriza pela simplicidade. Sua linguagem pictórica fascina pelos tons das cores, pela gama e pela eficiência comunicativa. A artista possui a virtude de elevar o que representa além dos limites da pintura de gênero, para alça-la a uma participação espiritual. Abril 2005 Emanuel von Lauenstein Massarani - Crítico de Arte e Superintendente do Patrimônio Cultural da Assembléia Legislativa.

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